O gosto de vômito na boca foi a primeira sensação do dia de Heriberto. Acordou cuspindo uma substância colorida, que misturava saliva e o que restou da noite anterior. A forte dor de cabeça seria o fato seguinte, caracterizando uma clássica ressaca, no entanto, a presença de sangue na boca deixou o jovem mais preocupado. Passou a mão no rosto e percebeu sangue também no nariz.
Somente após saber que acordava de uma ressaca que Heriberto percebeu onde estava. A calçada era de paver amarelo, a estrada, asfaltada. Em sua frente, um muro de três metros de altura e uma porta de madeira maciça, sofisticada, sem nenhuma identificação. Ao seu lado, um revólver e uma garrafa de plástico da cachaça Teimosinha pela metade.
O jovem levantou-se rápido, preocupado. Não sabia onde estava, nem o que havia ocorrido na noite anterior. Cervejeiro artesanal, Heriberto não costuma ingerir bebidas destiladas. Mas aquela dor de cabeça indicava uma bebedeira histórica na na noite anterior.
Olhou para toda a rua e viu um deserto. Nenhuma alma viva perambulava pela estrada. Será que hoje é feriado? Domingo? Que rua era essa? Será que Heriberto estava em sua cidade? Nenhum comércio ao longo da via, apenas um orelhão pixado, contendo a marca da operadora de sua cidade, um sinal que não deveria estar muito longe.
Decidiu, então, pegar a cachaça na mão e sentiu um cheiro estranho vindo da garrafa da teimosinha. Um odor que se misturava ao álcool.
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A senhora que atendia no posto de conveniência do posto de gasolina levou mais de 10 minutos para fazer a conta. Não era por menos. A atendente tinha dificuldades com a matemática e os jovens decidiram pagar uma compra de R$ 83 em moedas e notas de R$ 2 e R$ 5. Eles estavam em oito pessoas e cada um queria pagar a sua bebida, com um ajudando o outro.
- Tu vai pagar e tomar essa merda sozinho, seu retardado – disse Heriberto para Souza – Ninguém vai te carregar de novo, já estamos avisando.
- Para onde nós estamos indo, a Teimosinha é um kit de sobrevivência. Vai por mim, eu sei o que estou fazendo – respondeu Souza.
Heriberto, Souza e seus seis amigos pagaram as contas no posto e foram em direção ao estacionamento. O sol já havia deixado a cidade e o grupo decidiria qual seria a festa. Duas propostas foram colocadas na conversa. Um tradicional bar da cidade ou a ideia de Souza, considerada arriscada.
- Vamos na mansão dela. A gente entra lá e tal. Se for chato, vamos embora. Mas façamos uma tentativa – argumentou Souza.
- Ela não vai dar para ti, coloca isso na tua cabeça – provocou Heriberto – mas se queres ir mesmo tentar, tudo bem, eu apoio.
Souza foi o vencedor e o grupo de amigos optou pela proposta arriscada. Saíram em dois carros do posto de gasolina rumo a tal mansão. Heriberto e Souza foram no banco de trás, onde o primeiro abriu a garrafa de cachaça e, com o vidro aberto e o braço para fora, começou a beber e provocar quem estivesse na rua.
Entre um gole e outro, a pinga caia na sua roupa. Mas quando o motorista fez uma conversão à esquerda de forma brusca, o líquido precioso do jovem apaixonado foi em direção do colega, que detestava os aguardentes de cana.
- Foi mal aê, Beto – se desculpou Souza.
- Se derramares novamente essa merda, eu vou enfiar a garrafa no teu… – respondeu Heriberto.
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CONTINUA

