Antares, 22, 11, 2011 - "Um escritor é alguém congetinamente incapaz de dizer a verdade. Por isso, o que ele escreve chama-se ficção" - Willian Faulkner

Dois Tiros

Trouxe as armas? Perguntou o rapaz para o imigrante chinês que estava sentado numa das mesas do salão. O velho oriental fez um lento gesto para que o rapaz sentasse. Impaciente, o garoto continuou de pé. E então, trouxe ou não trouxe? Perguntou mais uma vez, arranhando o encosto da cadeira com as unhas.

Trouxe o dinheiro? Perguntou o velho, com um ar de preocupação. O garoto ajeitou o chapéu e depois tirou um maço de notas de cem do bolso. Está tudo aqui, pode conferir. O chinês nem olhou para o dinheiro. Eu confio em você.

Me deixe vê-las. Exigiu o rapaz empurrando o dinheiro da direção do velho, este então colocou sobre a mesa uma pequena caixa de madeira. Ainda há tempo, você sabe, o xerife deve voltar logo. Você não precisa fazer isso. Disse o senhor abrindo a caixa e removendo um pedaço de veludo que ocultava dois revólveres. O rapaz suspirou. Mas eu preciso.

As duas armas eram quase idênticas, mas uma possuía um cabo branco e a outra um cabo negro. Estavam dispostas na caixa, entre o pano, como o símbolo do Tao, o Yin e Yang.  E o homem chinês começou a explicar a diferença além das aparências.

Essas são as armas do homem honesto e do homem corrupto. Ambas nunca erram seus tiros, mas só podem ser utilizadas da seguinte forma. A branca, jamais funcionará ao dar um tiro pelas costas de alguém. Já a negra, só acertará uma pessoa se o tiro for pelas costas.

As regras pareciam ser simples. O garoto as pegou e foi para rua aguardar o rival que o desafiara para um duelo. As horas passaram e o algoz chegou, como o combinado. Trouxe as armas garoto? Sim, eu trouxe, escolha uma delas.

O vaqueiro pegou ambas e as estudou. Parecem boas pistolas. Carregue a sua e vamos logo acabar com isso. Disse o homem escolhendo a arma de cabo branco.

No momento do duelo, o rapaz ficou de costas para o rival, sabendo que arma branca não funcionaria. Aconteceu que o vaqueiro não atirou, sua honra não permitiria atirar em alguém pelas costas. Aguardou o rapaz enfrentá-lo de frente. Mas o jovem também não poderia disparar a sua arma até que o rival desistisse e fosse embora.

 
Lovett – Ghost of Old Highway


O Fantasma Incendiário do Artista Suicida Apaixonado

Quando o título é um spoiler!

Há momentos em que a dúvida precede o medo. Foi assim quando o alarme de incêndio disparou. Trote novamente muitos pensaram enquanto se levantavam de suas mesas e curiosamente esticavam seus pescoços pela porta para ver o caos começar a tomar conta dos corredores. O grito agudo de uma mulher chamando por Deus foi mais eficiente do que a campainha elétrica. Logo todos saqueavam suas próprias mesas em arrastões desesperados e corriam para escada e, sem saber, em direção ao fogo.

O desenho estava escondido na parte debaixo da gaveta, quando a água começou a cair do teto, por sorte estava em um envelope plástico. Pensei ter olhado para ele e ver as gotas de água se transformarem em lágrimas que escorriam pelo rosto da musa retratada. Era como se ela me dissesse “não me deixe!”. Eu queria que ela queimasse, e levasse com as cinzas todas as minhas lembranças, mas não conseguia vê-la ser destruída pela água, pelo choro irreal que produziria.

Todos deixaram o escritório, menos o rapaz que ocupava a minha mesa, parecia desesperado em salvar algum arquivo no pendrive e nem me notou. Prestativo, ele ainda apagou a luz quando saiu. Fiquei no escuro, sozinho, debaixo de uma chuva falsa, imaginando com seria segurar o desenho mais uma vez.


O ladrão de Rosas

Dick, saia de casa todas as noites e sempre para tomar a saideira no bar do Tedy.

Vê a saideira pra mim e um ovo de codorna daquela lata amarela!
O que tu queres com um maldito ovo de codorna? Fala Tedy
Já ouvisse falar nas propriedades sexuais do ovo de codorna? Assim eu garanto que ele não vai ficar escondido dentro da minha cueca de oncinha essa noite!
Vinte e sete anos e já esta com esses problemas guri? Aprende com o papai aqui, cinqüenta e três anos na cara, uma vida sofrida nas costas e dou pelo menos uma bimbada por dia!
Olha Tedy, o meu problema é que eu exagero um pouco de mais na bebida, mais vou parar com isso, não quero mais esse incomodo pra mim, me da à saideira que eu vou embora!
Dick esvaziou mais uma dúzia de copos e seguiu pela Rua Lock.
A noite era uma farra e hoje a noite o agito era no bar e danceteria zero grau.

Caralho, tenho setenta pratas na carteira, vinte eles já me tomam na entrada dessa budega, vai me sobrar cinqüenta pratas pra tentar faturar alguma coisa. O plano era uma merda mais o objetivo da noite era o mesmo de todas as noites, tirar o pau da cueca!

Identidade, por favor.
Eu sou de maior, não se preocupe eu já tenho barba na cara e pelo no saco!
Identidade ou rua!
Mais eu já paguei vinte pratas pra entrar nessa porra, vocês vão devolver a merda do meu dinheiro? A, quer saber, pega essa merda aqui que hoje eu não to afim de confusão!

A festa estava bombando, as pessoas estavam bêbadas e todo mundo tinha o mesmo objetivo, fuder.

E ai gatinha, aceita um gole?
O que é isso que você ta tomando?
Uísque on the rocks, Jack Daniels!
Ui, não gosto de uísque, bebida muito forte, prefiro uma ice!
A ta, então vamos fazer o seguinte, vamos cortar todo esse papo furado e partir direto para os finalmentes, vem aqui e me da um beijo logo vai.
Abusado! Folgado! E confiado! E não é assim que se conquista uma mulher como eu não!
Virgem, jurava que era assim! Mais então o que eu tenho que fazer pra conseguir te beijar?
Por que você não tenta dar uma flor pra mim, me tratar bem ou algo do gênero?
Faz assim então, na casa da frente aqui da zero grau mora um velho polonês, o polaco, ele já é aposentado e tem plantado no quintal varias muda de rosas. Você me traz uma rosa vermelha e uma rosa cor de rosa que eu te dou um beijo!
Combinado!
Eu sabia que isso era arriscado de mais, podia ser preso ou qualquer coisa do gênero mais essa pilantra valia todo esse risco, ela é muito gata, com aquele olhar penetrante, os cabelos ruivos da cor do fogo e ela é meio maluca, do jeitinho que eu gosto! E afinal de contas, é amor antigo da época de colégio, então fudeu maluco!

O muro da casa da frente não era alto, media aproximadamente 1 metro e 50 cm de altura. O problema é que ele teria que andar pelo menos 15 metros até as roseiras que ficavam perto da casa do polonês.
Dick sem hesitar pula o muro e anda em direção as roseiras, se escondendo nas sombras como um gatuno. Um serviço fácil para uma recompensa generosa! Primeiro a rosa vermelha e depois…

Puta merda!

Rufus apareceu, era um rottweiler que pesava aproximadamente 100kg, tinha um olhar que assustava até o filho que nem era projeto de Dick e a boca dele fedia a cerveja velha misturado com macarrão azedo. Uma visão do inferno!
Com a rosa vermelha já na mão e levando metade de uma roseira que estava plantada, Dick correu que parecia Ayrton Senna voando baixo em Interlagos, mais o velho Rufus também tinha sebo nas canelas e alcançou Dick a 5 metros da cerca, rasgando a calça dele fazendo dela metade de uma bermuda, fazendo Dick rolar pela grama e como se ainda não fosse o bastante o pé esquerdo do seu Nike virou o novo brinquedinho de Rufus. Mais Dick ainda é ágil como um gato e pula o muro e corre sem um tênis e com a calça rasgada para receber o seu prêmio!

Pronto princesa, aqui estão as suas rosas!
Nossa, que garoto mais meigo, vem aqui receber o seu beijo vem!
Depois de tanto sofrimento a merecida recompensa! Mercedes deu um selinho em Dick, pegou o ramalhete de rosas e o acerta com tudo fazendo os espinhos machucar o seu rosto e fala:
Agora aprende a tratar bem uma mulher!
Seu abusado! E quem sabe na próxima vez você aprende alguma coisa! Isso se houver uma próxima vez!

Não havia mais nada o que fazer, Dick caiu no conto do vigário, abaixou a cabeça e foi andando pela escuridão da Rua Lock.

Antes de dormir, como de costume sentou na privada e falou:
Acho que o ovo de codorna me fez mal.


wtf…?

- E essa garrafa na tua mão?
- to bebendo.
- percebi, foi uma pergunta retórica, idiota. por que tu tá bebendo?
- porquê não tem mais nada que eu possa fazer
- como assim, panaca? tu nao tem que trabalhar amanhã?
- não. mandei meu chefe se foder.
- Porra! de novo?
- sim, ele é um babaca.
- tu diz isso de todos os teus chefes. E desde quando tu fuma?
- desde que não tenho mais nada pra fazer, além de acabar com os órgãos do meu corpo lentamente.
- Tu não pode fazer isso.
- claro que posso. o corpo é meu. e os órgaos também.
- Mas e a tua família? tu nao pensa nos teus pais?
- na verdade não. nunca pensei. eles também nunca pensaram em mim. só na imagem que eles tinham de mim: o filho perfeito que eu nunca seria.
- que nada, eles são teus pais, te amam de qualquer jeito!
- isso é a maior mentira já inventada. conversa pra consolar os desajustadinhos da sociedade, que nao se encaixam na high society, que parecem a ovelha negra da família.
- tá maluco, cara? é claro que a família sempre vai amar a gente do jeito que a gente é!
- ah tá. pergunta pros meus pais isso. pergunta pros meus tios, avós, primos, pros vizinhos, sei lá. todos vivendo as vidinhas idiotas, só pensando em trabalhar e ganhar dinheiro. pra que? pra nada! ou melhor pra mostrar pros outros!
- cara, tu tá maluco.
- to nada, to em plena consciência de todos os meus atos.
- tu tá bêbado
- nem. agora é que to bom.
- tá. vai se foder então.
- já to fodido. a vida toda de todo mundo tá fodida. mas ninguém percebeu ainda.
- que se foda. me dá um gole desse uísque vagabundo.
- já é. puxa uma cadeira aí.


Sinfonia Agri-Doce

Dedo na buceta, la estava eu novamente. Lembro bem de como cheguei ate aqui. Brincando com a cordinha do OB dela é que tive o estalo, “Putz” pensei na hora. Era genial. Tudo de bom num só lugar. E eu com os dedos enfiados dentro da buceta dela. Ha. Aquela cordinha era tudo o que tinha de puxar pra chegar no prazer que eu tanto almejava. Era perfeito. Só que o OB não estava mais la. Ele havia dado lugar a um tubo de plastico completo com cocaina. Essa ideia era brilhante… ninguem mexe ali, e se estourar a parada, era so enfiar a fuça la e aproveitar. Todo mundo aproveitaria, eu e ela. Se eu pudesse sair contando como fazer isso garanto que seria a nova moda nacional. Nariz na buceta. Acho que ate o viado do latino faria uma musica sobre isso. Tudo vira musica na mão daquele merda. Então, tudo certo, era só curtir agora… eu demorava um pouco pra puxar, porque convenhamos, é bom aproveitar esse momento. E ela também nunca reclamava que eu demorava pra tirar, e nem ela tirava sozinha. Ela sempre me agradecia. Pela grana, e pela dedada. Pronto, beijo pra ti e ate a próxima. No aconchego do lar, arrumo tudo pra saborear a parada. Ligo o som, confesso que to meio nostalgico, e fico ouvindo um best of do silverchair. Sonzinho agradavel, tem guitarra, sem muita frescura… do jeito que eu gosto… Da pra ouvir a guitarra com distorção, as vezes um flangerzinho pra criar um clima, e voltar pra distorção. Riffs simples, um baixo bem marcado e a bateria nervosa e com peso. Bom, não posso dizer que não gosto, até porque gosto bastante disso. Depois de secar bem, preparo um bela dose de jameson pra descer na hora que fechar tudo. Punk Song #2 é o nome da música que ta tocando na hora, e juro que naquele comecinho eu pensei que tinha mudado pra sonic youth. Mas não… continuava o silverchair. Engoli a dose do jameson e fiquei parado curtindo um pouco. Quando começou a musica seguinte, jurei que era eu, mas era só a musica. Eu do gargalhada disso. Gosto de rir sozinho. Vo fazer uma caipira. E curtir do disquinho do Verve que baixei hoje. Novamente. Falei que tava nostalgico porra. Mas não tem como tirar o mérito, esse disco é muito bom. Dado um tempo, escuto o barulho da porta. Sigo sentado, até me dar conta da porra toda… Penso “fudeu e agora” corro pra ela não perceber. Vou na pia e derramo um monte de detergente e finjo lavar a pia. Já pensou se ela sente o cheiro de outra na minha mão?


Dentro do Possível

Chovia pra caralho. Ele já estava ensopado quando chegou ao ponto de ônibus, mas tudo bem.  A rua estava vazia há alguns minutos, isso era um mau sinal. Engarrafamento no centro da cidade, provavelmente. Teria que esperar sozinho no frio.

Ela, de carro, pegou o caminho mais longo, mas chegou antes, evitando o trânsito. Odiava dirigir na chuva e sempre se lembrava de quando ficou ilhada, com os bueiros entupidos fazendo a água subir rapidamente pela estrada.

Um único carro se aproximava. Não veio do centro, ele pensou. Ela o viu no ponto. Mesmo sabendo que seria estranho, encostou o carro para oferecer carona. Seria o mínimo que ela poderia fazer, depois que ele a ajudou na enxurrada passada. Ele nem se surpreendeu. Aceitou a carona com receio de estar molhando todo o banco do carro. Estava desconfortável. Ela abaixou o som do carro e perguntou:

- E então? Tudo bem contigo?

A resposta demorou para sair, como se as idéias fossem uma espinha grande sendo exprimida, com muita dor.

- Sim, tudo bem sim. Dentro do possível, tudo bem.

O silêncio voltou, apenas ouvia-se a chuva e Paranoid Android tocando no rádio.

- Você já esteve lá? – Ele perguntou.

- Como? Lá onde?

- Dentro do possível? Você já esteve lá dentro?

Ela não entendeu. E ele continuou sem que ela perguntasse o que isso significava.

- É um lugar meio chato. Só tem uma janela, com vista para o mesmo lugar de sempre. O mesmo horizonte, as mesmas casas, mesmas pessoas. Às vezes é bom ir até lá, ficar um tempinho e ter a certeza de que as coisas estão bem. Mas ficar muito tempo lá é ruim. A gente começa a esquecer esse universo de possibilidades que fica em volta e não aparece na janela. É limitante. Estou tentando sair de lá faz um tempo. Quero… Acho que eu quero me arriscar um pouco no impossível.

- Nossa! Tá inspirado! O que quer dizer essa metáfora toda?

- Quer dizer que eu cansei de fazer chover quase todos os dias, só para me encontrar com você.


Se existir uma verdade, eu irei fazer parecer mentira.

Todo o ser humano é feito de decepções e livros.

 


Último Vôo

Inspirado no clipe de Eye of the Storm - by Lovett

Não sei ao certo se faço o que estou destinado a fazer, ou se apenas sigo um impulso impensado. Mas quando se vive uma confortável mentira, a busca pela verdade pode ser uma jornada dolorosa. Abri mão de tudo por acreditar num sonho que eu mesmo desacredito.

Loucura?

Sempre!

Levo comigo apenas lembranças daquilo que sou e daquilo que fomos. Deixei pra ela uma carta de despedida. Levo o Arthur comigo, mas tenho uma surpresa pra ele no caminho. Entre as fotografias de uma vida imperfeita e diários testemunhas de meu vazio, levo a garrafa de absinto que ganhei de Oberon, também tão vazia quanto eu.

Apesar da distância já percorrida, ainda me sinto preso ao chão, como se grilhões me impedissem de voar. Sei que ela jamais compreenderia. Negaria tudo que eu tentasse lhe explicar. Rogaria pragas pra mim. Me chamaria de covarde, por fugir assim da vida que eu não quis.

Sei que dei às costas para o mundo, mas esse aqui nunca foi meu lugar.

Estou indo de volta para casa.

\”Eye of the Storm\” – by Lovett


O Louco

os loucos também amam... inspirado no arcano de número zero (ou 22) e em sua musa...

Seu eu pudesse em  palavras formular em síntese toda essa tormenta que incendeia cada pensamento exaltado de minha alma, que palavras eu inventaria? Que valsas meus pincéis dançariam na ilustração de teu retrato não-falado? Que gestos meus sentidos perderiam no calor de uma vertigem? Que expressões estamparia na epiderme de meu velho crânio?

Inventaria nomes de musas e deuses para impressionar os incultos? Esboçaria fadas em preto e branco? Acenaria perdidamente desconexa minha mão em busca de um suporte que me guie até os céus? Ou iria sorrir timidamente, desviando o olhar para onde meus sonhos alcançam?

Ao final do questionário, resumiria o ato em loucura, vagando sorridente à beira do abismo, cantarolando palavras apaixonadas, fitando no horizonte, duas luas ocultas no céu cinza azulado, chamando-as pelo seu nome.

 


Sem título de efeito

Se você abrir os braços pra mim agora, eu juro que vou correndo. Tudo o que eu preciso é de um pouco de sossego dessa vida bandida, que não ajuda a gente em nada. A gente somos nós, crianças, que não conseguimos ainda fazer as coisas sozinhas. Acabamos de aprender a andar com as próprias pernas, ainda não aprendi a segurar esse peso todo, sou uma criança fraquinha, franzina. Preciso de feijão. Preciso do seu feijão. Tem ferro no feijão, não? Isso deve me ajudar.
Não nascemos sabendo fazer nada. Mas a maioria delas nós aprendemos. Meu coração bate pesado quando eu penso que eu gosto de você mas pode ser que você não esteja nem aí pra mim. Eu não sei, não tenho coragem de perguntar. Sou apenas uma criança.

Me deixa segurar a tua mão. Me deixa. Me leva pela mão enquanto você anda despretensiosamente pela vida. Eu juro que não falo nada, vou só olhando as vitrines pelo caminho, aí eu vejo se aprendo alguma coisa. Me leva pela mão, vai. Abre os braços pra mim. Não precisa dizer nada, só me deixa ficar quieta ali, como se  fosse uma criança no colo de um adulto sendo consolada depois de ter caído de bicicleta. Mas eu não choro! Não precisa se preocupar. Eu queria só um espaçozinho de nada na sua vida. Pra eu ter uma vida também. Quem meu coração pare de bater espremido e doído cada vez que eu pense em amor.